LM

Lucas Mendes

Q-Grader e mestre de torra

Varginha, MG

Lucas Mendes começou catando café na fazenda do tio em Carmo de Minas aos 12 anos. Não foi romântico — era trabalho, e ele odiava. Voltou pro café por acidente, dez anos depois, quando provou um Geisha do Panamá numa feira em São Paulo e ficou sem entender como era a mesma planta da fazenda do tio.

Tirou Q-Grader pela Coffee Quality Institute em 2014, na Costa Rica, e desde então já cupou mais de 12 mil amostras — leva conta, porque é obsessivo com número. Foi torrador seis anos numa microtorrefação no Sul de Minas, onde parou de tratar torra como feeling e começou a tratar como dado: velocidade de subida da temperatura, tempo de desenvolvimento depois do primeiro estalo, fornada que repete. Sistematizou isso num método de calibração que chama de torra honesta — e que hoje aplica como consultor em dezenas de pequenas torrefações pelo país.

Dá curso de análise sensorial e de preparação pra prova de Q-Grader, já sentou em mesa de qualidade de concurso de café e mantém uma newsletter onde abre, defeito por defeito, o que estava errado naquela xícara. Treinou boa parte de uma geração de microtorradores que hoje toca negócio próprio. Tem língua treinada pra pegar defeito antes da maioria, ouvido treinado pro primeiro estalo — mas o que gosta mesmo é de explicar por que um café tem gosto de framboesa.

Não acredita em torra escura como solução. Acredita em torra que respeita o grão verde que veio. Defende moagem fresca como inegociável, mas não defende moedor caro — diz que existe Comandante e existe vontade. Odeia a palavra "gourmet" e não tem paciência com quem escreve sobre fazenda sem nunca ter pisado em uma.

Escreve aqui sobre o que se passa no copo — por que está ácido, por que está amargo, por que a moagem não está ajudando você — e sobre o que se passa antes do copo, na fazenda e na torra.

Especialidades

análise sensorial SCAdefeitos do caféprocessos pós-colheita (lavado, natural, honey)perfis de torramoagem e extração

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