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Café em Tempos de Isolamento: Refúgio e Conexão

Como o ritual do café se tornou um refúgio social durante o isolamento.

TA
Tomás Andrade
Ensaísta e crítico cultural··2 min

A gente não precisa de muito. Um filtro, um pouco de água quente e, claro, café. Tem manhãs que o seu preparo é o único movimento que conecta a gente com o mundo. Em tempos de isolamento, cada gole vira quase um diálogo, uma espécie de abraço em forma líquida.

Café: um momento de pausa

Quando o isolamento social nos pegou de surpresa, as interações cotidianas foram reduzidas a telas e mensagens de texto. Aí, o café, esse velho conhecido, ganhou uma nova função: a de refúgio. Era no preparo, na espera pelo aroma subir, que muitos de nós encontrávamos um pouco de paz. E quem diria? Mesmo o barulho do moedor se tornou uma melodia reconfortante.

Mas o que mais me surpreendeu foram as novas conexões que surgiram através dessa rotina. Grupos de discussão sobre métodos de preparo, live com baristas ensinando o ponto certo da moagem. De repente, estávamos todos conversando, ainda que à distância, sobre esse grão que nos une de tantas formas.

Tecnologia e tradição

É curioso pensar em como algo tão antigo quanto o café se integrou a um mundo tão tecnológico. Aquele café coado na cozinha virou motivo de postagens e histórias compartilhadas em redes sociais. A gente estava separado, mas um bom café nos conectava. A simplicidade da bebida parecia dizer que não estávamos tão sozinhos assim.

Mas há um perigo em romantizar demais essa relação. Isolados, podemos esquecer que café também é trabalho — e duro — para muitos que o produzem. Ana Pereira, agrônoma e cafeicultora, sempre lembra que, entre nós e a xícara, há uma cadeia produtiva extensa que precisa ser valorizada e, acima de tudo, justa.

Um ritual que se perpetua

No meio de tudo isso, o café se manteve firme. Talvez porque ele seja, em essência, uma pausa. É que a gente precisa de pausa. Não só pela cafeína, mas pelo ritual em si. Pelo tempo que interrompe. Pela pausa que conecta.

E você? Qual tem sido o seu cafezinho? Um caprichado V60 ou aquele da padaria do Seu Antônio? Seja qual for, é refúgio. E conexão.

Afinal, no fim das contas, é só café. Ou talvez seja mais que isso.