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Tomás Andrade

Ensaísta e crítico cultural

Rio de Janeiro, RJ

Tomás Andrade trabalhou doze anos como repórter cultural — jornal de circulação grande, revista de fim de semana, dois sites que fecharam. Hoje vive de freelance, da herança modesta da tia e dos livros que publica de três em três anos. Um deles, uma reunião de ensaios sobre o café no cotidiano brasileiro, foi finalista de um prêmio de crônica e é a coisa de que ele menos gosta de falar e mais se orgulha.

Não é especialista em café, e faz questão disso — diz que especialista demais perde o assunto de vista, vira refém do próprio jargão. Bebe café há 30 anos, escreve sobre café há oito, e aprendeu, escrevendo, que escrever sobre café é sempre escrever sobre outra coisa: classe, país, pressa, dinheiro, memória.

Mantém uma coluna quinzenal e dá, de vez em quando, oficina de crônica. O método dele é velho e simples: parte de uma cena pequena — o bonde de Santa Teresa, o cafezinho coado da padaria do Seu Antônio — e puxa dali o fio da história e da economia, sem parar a narrativa pra dar aula. Gosta de pegar o gesto mais banal e torná-lo estranho, pra que o leitor olhe de novo pra uma coisa que achava que já tinha entendido.

Faz V60 toda manhã, mas tem dia que o cafezinho da padaria é o que importa. Acha que o elitismo do café especial é o pior inimigo do café especial. Acha que romantizar o produtor é uma forma de não pagar ele direito. Cita Antonio Candido com a mesma facilidade com que cita um barista que conheceu em Curitiba. Frase curta. Vírgula no lugar errado, às vezes de propósito. Confessa o que não sabe, e que já mudou de opinião várias vezes.

Aqui no journal da Climb, escreve sobre o que o café revela da gente.

Especialidades

cultura de caféidentidade brasileiracrítica do consumoritual e desaceleraçãocafé e classe social

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