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Cafeína e Resistência: Maximizando o Efeito em Atletas de Endurance

Otimize o uso da cafeína para aumentar a resistência em esportes de endurance.

DH
Dra. Helena Vieira
Nutróloga esportiva··2 min

Um triatleta chegou ao meu consultório semana passada, frustrado com sua performance em provas de resistência. Ele já tomava café antes dos treinos, mas dizia não sentir diferença. Quando discutimos, percebi que a questão não era a cafeína em si, mas o como e quando da ingestão.

O papel da cafeína na resistência

A cafeína é conhecida por aumentar a resistência em esportes, agindo como uma substância ergogênica — melhora a capacidade física e cognitiva. Ela bloqueia a adenosina no cérebro, o que retarda a sensação de fadiga e melhora a concentração. Mas, como sempre digo, "dose é variável individual" e "depende de quem está bebendo".

Timing e dose: o que a ciência diz

Estudos recentes sugerem que a eficácia da cafeína na performance de endurance pode ser otimizada com a correta combinação de dose e timing (Doherty e Smith, 2004). Recomenda-se a ingestão de 3 a 6 mg/kg de cafeína cerca de 45 minutos a 1 hora antes da atividade. Mas claro, a metabolização é pessoal — variabilidade genética, como a do gene CYP1A2, influencia bastante (Palmer et al., 2020).

A prática no consultório

No consultório, peço a genotipagem CYP1A2 para personalizar a dose. Lembro de uma triatleta de 38 anos que acreditava que a cafeína não tinha efeito sobre ela. Após genotipagem, descobrimos que era uma metabolizadora rápida. Ajustamos o timing de ingestão, e os resultados foram surpreendentes. Ela reportou melhora significativa na percepção de esforço (RPE) e na resistência.

O que ainda não sabemos

Ainda há limitações nas pesquisas sobre o impacto da cafeína em mulheres atletas. A maioria dos estudos se concentra em homens, e os efeitos hormonais e do ciclo menstrual não são completamente compreendidos. Isso é algo que espero que a literatura possa consolidar em breve.

Na prática, a dica é calcular a dose certa para você. E sempre considerar sua resposta individual e características genéticas. Nada de seguir fórmulas prontas. Como sempre digo, "depende de quem está bebendo".