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Cafeína em Mulheres Atletas: O Peso da Genética na Performance

Exploramos como a genética influencia a resposta à cafeína em mulheres atletas.

DH
Dra. Helena Vieira
Nutróloga esportiva··2 min

Atendi uma triatleta de 32 anos recentemente. Ela dizia não sentir efeito algum da cafeína nos treinos. Parece familiar? Muitas mulheres atletas relatam isso, e a resposta pode estar nos seus genes.

Genética e Resposta à Cafeína

A cafeína é metabolizada principalmente pelo fígado, em um processo influenciado pelo gene CYP1A2. A variação desse gene determina se a pessoa metaboliza a cafeína rapidamente ou lentamente. Isso impacta diretamente a performance esportiva após a ingestão de cafeína.

Para algumas atletas, a cafeína pode aumentar a resistência e diminuir a percepção de esforço, também conhecida como RPE. Para outras, o efeito é mínimo ou até negativo. Estudos recentes mostram que mulheres com a variante que metaboliza a cafeína lentamente podem sentir mais efeitos colaterais, como ansiedade e taquicardia (Cornelis et al., 2006).

Fatores Além da Genética

A resposta à cafeína não é apenas genética. Hormônios, como o estrogênio, também podem influenciar a eficácia da cafeína nas mulheres, especialmente em diferentes fases do ciclo menstrual. O impacto desse fator ainda é bastante complexo e subexplorado.

Ainda tem a questão do peso corporal e da frequência do consumo de café. Mulheres com menor massa corporal podem ter efeitos amplificados mesmo com doses menores. E a tolerância também varia conforme o consumo habitual de cafeína.

Como Eu Abordo no Consultório

No meu consultório, sempre inicio com uma avaliação genética para entender a metabolização da cafeína. Para quem não tem acesso a isso, sugiro testar diferentes dosagens e timing ao longo do ciclo menstrual para ver como se sentem. Já escrevi sobre a variabilidade neste artigo.

Ajustamos a ingestão de cafeína com base no peso e nas preferências individuais, sempre respeitando a variação da dose que a literatura sugere: entre 1 a 3 mg/kg de peso corporal antes do treino.

O Que Ainda Não Sabemos

Ainda há muito a ser explorado sobre como a cafeína afeta mulheres de diferentes idades e condições fisiológicas. A interação entre hormônios e cafeína é uma área promissora e subestimada. Além disso, a maioria dos estudos são feitos em homens, o que limita a extrapolação direta para mulheres.

A ciência nunca é estática. Cada nova descoberta pode mudar o que entendemos hoje. Portanto, experimentar e ajustar é a chave. E sempre lembrando que a dose é variável individual.