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Como Hormônios e Genética Influenciam os Efeitos da Cafeína no Exercício

Exploração dos impactos hormonais e genéticos da cafeína em homens e mulheres durante exercícios.

DH
Dra. Helena Vieira
Nutróloga esportiva··2 min

Mês passado, uma paciente, triatleta amadora de 32 anos, me contou que não sentia efeito algum da cafeína durante suas provas. Isso me fez pensar sobre como a ciência aborda a variação de resposta entre homens e mulheres. A questão é: a cafeína realmente age de forma diferente entre os sexos?

Hormônios fazem diferença

A diferença começa nos hormônios. O ciclo menstrual pode impactar a sensibilidade à cafeína. Estudos sugerem que as mulheres podem ter uma resposta diferente à cafeína dependendo da fase do ciclo (Santos et al., 2017). Na fase luteal, por exemplo, a metabolização da cafeína pode ser mais lenta, afetando a eficácia do seu uso como ergogênico — substância que melhora a performance física.

Genética também conta

Agora, vamos falar de genética. O genótipo CYP1A2 é um dos que determina como metabolizamos a cafeína. Homens e mulheres podem ter variações nesses genes que afetam a velocidade de metabolização. Por exemplo, um metabolizador rápido, identificado pelo genótipo AA, pode sentir mais benefícios ergogênicos da cafeína, enquanto um metabolizador lento pode não sentir tanto ou até ter efeitos negativos, como ansiedade aumentada.

O que a ciência diz?

Pesquisa recente destaca que as mulheres tendem a ter respostas mais variáveis à cafeína em comparação aos homens, tanto em termos de performance quanto efeitos colaterais (Guest et al., 2021). Mais uma vez, a diferença hormonal e genética parece ser o ponto central.

No consultório

No consultório, tenho usado essas informações para ajustar recomendações. Para aquelas que, como a triatleta mencionada, não sentem efeito, faço a genotipagem CYP1A2 e ajusto o timing e a dose de acordo com o ciclo menstrual. Testamos as alterações durante o treino, não na competição.

O que não sabemos ainda

O que ainda não sabemos, e que me incomoda, é o quão limitada é a literatura sobre cafeína em mulheres atletas. Ainda há um longo caminho a ser percorrido para entender completamente essa variabilidade. Dose é variável individual, e a interação entre genética e hormônios ainda precisa de mais investigação. O que funciona para um homem pode não funcionar para uma mulher, ou mesmo para outra mulher em fase diferente do ciclo.

Por enquanto, na prática, a única certeza é que o ajuste é essencial — tanto na dose quanto no timing. E, claro, sempre se testar antes no treino.