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O Efeito Placebo da Cafeína no Desempenho: Mito ou Realidade?

Explorando como o placebo da cafeína pode influenciar o desempenho atlético.

DH
Dra. Helena Vieira
Nutróloga esportiva··2 min

Atendi recentemente um corredor de 45 anos que não sai de casa sem seu café pré-treino. Jura que é isso que empurra seus 10km diários. Mas é mesmo a cafeína ou a crença no seu poder?

A fisiologia nos diz que a cafeína é um composto psicostimulante que melhora a atenção e reduz a percepção de esforço (RPE). Isso já é bem documentado (Doherty e Smith, 2005). Mas e quando a mente acredita mais do que a química?

O Que a Ciência Diz (Ou Não)

Estudos mostram que o efeito placebo pode ser responsável por até 50% do desempenho percebido (Beedie e Foad, 2009). Isso é mais comum do que se imagina. Um estudo de Beedie e Foad (2009) explorou placebo em atletas e encontrou melhorias de performance mesmo quando a cafeína era substituída por cápsulas inertes. A mente manda tanto quanto o corpo.

No Consultório

Na prática, vejo isso frequentemente. Como o caso de uma triatleta de 38 anos, convencida de que cafeína não a ajudava. Fizemos a genotipagem CYP1A2 e descobrimos que ela metabolizava rapidamente. Ajustamos. Funcionou. Mas e se fosse só a expectativa?

Outro aspecto é o custo dos pré-treinos. Já falei que são caros demais pelo que entregam. Muitas vezes, trocá-los por um café de qualidade já faz diferença — ou pelo menos parece que faz. E essa percepção também é válida.

O Que Não Sabemos

Ainda há lacunas. A literatura sobre o impacto do placebo em mulheres atletas, por exemplo, é insuficiente. Entender como a crença coletiva sobre a cafeína influencia o desempenho é um campo aberto. A dose, como sempre digo, é variável individual e depende de quem está bebendo.

Assim, se você se sente melhor com um café antes do treino, isso já é um ganho. Seja placebo ou não.