CR

Camila Ruiz

Confeiteira

Curitiba, PR

Camila Ruiz cresceu em cima da padaria do avô em Curitiba e aprendeu a sovar massa antes de andar de bicicleta. Fez Le Cordon Bleu em São Paulo, passou três anos em Paris estagiando em duas casas pequenas — uma boa, uma horrível — e voltou pro Brasil porque sentia falta do leite condensado.

Hoje toca uma confeitaria pequena em Curitiba e dá oficinas no fundo de quintal. Faz tudo no peso, escreve tudo em grama, e olha torto pra qualquer receita que peça "uma xícara" — diz que xícara é unidade afetiva, não unidade de medida. Foi uma das primeiras confeiteiras que conheceu a publicar receita brasileira inteira em grama, com temperatura e tempo fechados e a ciência do porquê do lado: por que o mascavo deixa o doce mais úmido, por que a manteiga a 18 °C incorpora ar e a 30 °C não.

Esse jeito virou um caderno de receitas que ela testou à exaustão — algumas chegaram a quarenta versões antes de sair — e uma newsletter onde conta de onde vem cada doce, quem inventou, o que ela errou fazendo. Antes de ensinar o passo, avisa onde a receita costuma desandar, pra que a pessoa não se sinta burra quando desandar.

Usa café em quase tudo: espresso na ganache de chocolate amargo, pó de arábico fininho no brigadeiro, café no caramelo de flor de sal. Diz que café é sal — realça, não domina. Não tolera a ideia de que doce é mais simples que salgado: confeitaria é química com manteiga. Acha receita de internet sem peso um desserviço, e pão de mel feito direito uma das coisas mais difíceis de fazer.

Escreve aqui receitas com café que dão certo na cozinha de casa — com peso, com tempo, com observação, e com opiniões fortes sobre temperatura de manteiga.

Especialidades

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